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A Universidade do Futuro na visão da FGV

  • 5 min para ler

Como parte de nosso artigo sobre a Universidade do Futuro, conduzimos entrevistas com aqueles que acreditamos estarem moldando o futuro da educação no Brasil.

Para a elaboração de nosso ebook sobre a Universidade do Futuro, realizamos entrevistas com profissionais que estão na linha de frente do processo de criação desse novo paradigma de universidade que vai dando forma ao futuro da educação no Brasil.

Nesta ocasião, falamos com Mary Murashima, Diretora de Gestão Acadêmica da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Como este é apenas um trecho da conversa, convidamos você a acessar este link  para saber mais sobre a Universidade do Futuro.

Quais foram os impactos sofridos pelos cursos da FGV devido à pandemia de COVID-19?

Os cursos presenciais de educação executiva da FGV — tanto os de curta e média duração quanto os de especialização — foram interrompidos em 16 de março de 2020 em função da pandemia e, duas semanas depois, foram retomados, com os mesmos professores, os mesmos programas, os mesmos dias e horários de aulas, substituindo-se as salas de aula presenciais pelo link da ferramenta de webconferência selecionada pela instituição. Mais de 35.000 estudantes divididos em mais de 1.500 turmas foram impactados por essa mudança. Nesse processo, surpreendentemente, foi muito baixo o número de trancamentos  e a maioria dos estudantes que, inicialmente, mostraram-se reticentes em relação ao novo modelo de aulas acabaram por reconhecer o valor da nova proposta. Nesse processo, alguns estudantes, inclusive, declararam que consideraram o modelo melhor que o das aulas presenciais. Ademais, da segunda quinzena de março à segunda quinzena de junho de 2020, o número de visualizações dos cursos online (MBA, Pós-Graduação e Curta Duração) no portal de Educação Executiva da FGV ultrapassou 644 mil visualizações contra 92 mil ocorridas no mesmo período do ano anterior.

Qual será o perfil da universidade do futuro e que mudanças você prevê para os próximos anos?

Está mudando a percepção das pessoas sobre as possibilidades de valor agregado pela mediação da tecnologia nos processos de ensino e aprendizagem. Nesse sentido, nos próximos cinco anos, será difícil a sobrevivência de pequenas instituições ou daquelas que, neste momento, não tenham tido rapidez e eficácia para manter seus programas em funcionamento. Devemos assistir a menos investimentos em espaços físicos e mais investimentos em infraestrutura tecnológica; professores selecionados não apenas em função do que sabem, mas também a partir do quão eficientes são em compartilhar o que sabem, utilizando diferentes canais e ferramentas de comunicação; legislação educacional mais flexível em relação às diferentes modalidades de ensino e aprendizagem; mais parcerias entre instituições nacionais e estrangeiras, e mais intercâmbio entre o corpo docente e discente dessas instituições.

Você acredita que a forma de distribuir conhecimento mudará?

Na maioria das instituições, continuamos a ensinar — “professar” — como fazíamos no século XIX. Mudar essa realidade significa começar por assumir que o conhecimento não se distribui, ele é reconstruído por cada um de nós a partir de diferentes estímulos, motivações e experiências, de forma absolutamente individual e única, a todo o momento, dentro e fora do ambiente escolar.  A necessidade de adoção de novos canais e ferramentas tecnológicas para continuarem atuando pode ou não mudar a postura de nossos professores. Muitos podem tentar a continuidade das mesmas práticas ainda que em novos ambientes: seja ao procurar cobrar presença nas aulas remotas por webconferência, seja ao reproduzir em aulas ao vivo mediadas por tecnologia os mesmos PPTs e estratégias que já utilizam no espaço da sala de aula presencial.  Mudar essa realidade exige mais do que o uso de diferentes tecnologias, trata-se de uma mudança cultural e até mesmo política, que demanda o comprometimento da sociedade, dos cursos de formação docente e das instituições de ensino.

Dentro dessa nova dinâmica, como fica a situação dos estudantes?

Se considerarmos como provável que tenhamos mudanças na legislação, creio que os estudantes poderão ter mais liberdade de escolha acerca do que, como e onde quererão ou poderão estudar. Isso significa que alunos que não abrem mão da presença física para realizar network poderão continuar a optar por cursos presenciais. Em contrapartida, aqueles que desejarem interagir com colegas e professores em tempo real, sem sair de casa, ou aqueles que desejarem estudar no seu próprio tempo, em qualquer lugar, também terão opções de escolha com qualidade à sua disposição. Temos a chance de, finalmente, vermos o mercado educacional ser regido por aquilo que os estudantes desejam, e não o contrário. Nossa influência, não importam os meios, deve almejar que eles sejam capazes de lidar crítica e criativamente com o conhecimento. Nesse sentido, as tecnologias da informação e os avanços da web, na medida em que ampliam os espaços abertos e aproximam as diferenças, podem — muito mais do que dificultar — favorecer o contato entre professores e alunos, dispostos a investirem na busca de autonomia, nos esboços para o futuro…

Você acredita que a estrutura física das universidades mudará?

Se as universidades passarem a oferecer opções personalizadas e diferenciadas de aprendizado, a estrutura física deve ser aquela que favorecerá a interação entre professores e estudantes, que poderão participar das aulas presencialmente ou por meio de diferentes recursos tecnológicos, interagindo com os grupos de colegas por dispositivo de comunicação. Sairão de cena os púlpitos e as carteiras enfileiradas ou as salas no formato de anfiteatro, tendo como ponto focal o professor, e surgirão os espaços que possibilitarão a conexão de pequenos grupos e desses com grupos maiores: um novo cenário em que os estudantes deixam de ser espectadores e passam a ser atores de um processo de aprendizagem em que o professor, por sua vez, será, com louvor, um mediador ou um facilitador. Sem bibliotecas, laboratórios ou secretarias físicas, que serão já definitivamente substituídos por seus equivalentes virtuais, a estrutura física poderá finalmente investir em espaços mais propícios à troca e reflexão entre os membros de sua comunidade, desapegando-se de ambientes vinculados a práticas tecnicistas e burocráticas.

 

Mary Murashima

Doutora pela PUC-Rio, atualmente é Diretora de Gestão Acadêmica da FGV e professora associada da UERJ. Foi Diretora de Soluções Educacionais e Diretora Adjunta do Programa de Educação a Distância da FGV, além de Diretora Acadêmica do Programa de Ensino a Distância da Whitney International University System. Trabalhou como Gerente de Produção Acadêmica liderando as áreas de Produção, Recursos e Tutoria –, Coordenadora de Pós-graduação e Produção, além de Instructional Designer do FGV Online. Possui artigos e livros publicados nas áreas de Língua e Literatura Latina, EAD, Língua Portuguesa, Educação e Filosofia.

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